Mais de 250 caminhões seguiam nas áreas de controle do lado argentino no momento do anúncio, o que caracteriza uma fase de escoamento de fila e não de operação normal. Para carga refrigerada parada desde 24 de agosto, a recomendação prática é conferir o registro de temperatura do período de espera antes do aceite do lote e realinhar com o cliente a expectativa de vida útil.

O comunicado traz um elemento que merece atenção maior do que a reabertura em si. O horário de inverno de doze horas, das 10h às 20h no Chile e das 11h às 21h na Argentina, que se encerraria em 31 de agosto, foi estendido até que as condições meteorológicas permitam retomar a operação de 24 horas, sem data definida. É o reconhecimento formal de que o corredor deixou de operar em regime de exceção e passou a operar em regime de janela.

A alternativa marítima: como a fruta chegou enquanto o passo estava fechado

Durante o fechamento de agosto, o Grupo Ormac desviou parte da fruta chilena de mesa programada por via terrestre para o modal marítimo, com embarque nos portos de San Antonio e Valparaíso e destino ao Porto de Santos. A decisão não foi tomada quando o passo fechou, e sim quando ficou claro que a reabertura dependeria de uma sequência de sistemas frontais, e não de uma data.

É preciso ser preciso sobre o que essa alternativa entrega, porque a leitura fácil está errada. O modal marítimo não é mais rápido que o rodoviário com a cordilheira aberta, e não é necessariamente mais barato quando se somam frete, custos de terminal e o capital imobilizado no tempo adicional de trânsito. O que ele entrega é previsibilidade.

Essa distinção é o centro da decisão logística em perecível. No corredor terrestre, o tempo de trânsito é curto enquanto o passo opera e se torna indeterminado no instante em que ele fecha, porque a variável que manda é meteorológica e não operacional. No modal marítimo, o tempo é maior, porém conhecido com antecedência e razoavelmente estável. Para fruta de mesa com espaço de gôndola reservado e contrato de fornecimento a cumprir, um prazo maior e certo é comercialmente superior a um prazo menor e indefinido.

Há também uma mudança de natureza do processo aduaneiro que precisa ser considerada no desenho. A carga sai do trânsito aduaneiro terrestre e passa a despacho de importação por via marítima, com conhecimento de embarque, licenciamento aplicável e conferência em recinto alfandegado portuário. Não é apenas trocar o veículo, é trocar o rito, e isso exige preparação documental prévia.

A recomendação que fica registrada aqui, para a temporada, é de calendário. Contingência marítima se desenha antes do fechamento, e não durante. Espaço de reefer no pico da temporada chilena, na segunda quinzena de novembro em diante, não se contrata de um dia para o outro, e o exportador ou importador que só procura alternativa depois de a fronteira fechar disputa espaço com todos os outros que estão na mesma situação, no pior momento possível.

Como a Ormac ajuda

O Grupo Ormac acompanha o estado do corredor diariamente e mantém, para clientes com programação de fruta chilena, um desenho de contingência que inclui a rota marítima, o preparo documental correspondente e o alinhamento com armador e terminal antes de a alternativa ser necessária.

Se a sua operação depende do corredor terrestre para fruta chilena no segundo semestre, fale com a nossa equipe para avaliar o desenho antes da temporada, e não durante o próximo fechamento.

Aviso legal

Este conteúdo tem caráter informativo. Condições de fronteira, horários e restrições são definidos pelas autoridades chilenas e argentinas e podem mudar sem aviso, devendo ser confirmados no boletim de estado do passo. Tempos de trânsito, disponibilidade de espaço e custos de frete marítimo variam por armador, rotação e período, e devem ser confirmados em cotação específica para cada operação.