Com os modais marítimo e aéreo já migrados para a Declaração Única de Importação (DUIMP), a última, e talvez mais operacionalmente complexa, fase da transição se aproxima: o modal terrestre e rodoviário. A partir de dezembro de 2026, nenhuma operação de importação por estrada poderá ser registrada pela Declaração de Importação (DI) legada. Tudo passa a ser DUIMP, sem exceção.

O Corredor do Mercosul e os Impactos Diretos
Para empresas que importam pelos principais corredores terrestres brasileiros, Uruguaiana (RS), Foz do Iguaçu (PR), Chuí (RS) e Jaguarão (RS), a mudança é estrutural. O modal rodoviário responde por mais de 50% das movimentações de cargas no Mercosul. Frutas argentinas, carnes uruguaias, produtos paraguaios: tudo o que cruza a fronteira terrestre precisará, a partir de dezembro, ser processado integralmente pelo Portal Único Siscomex via DUIMP.

O Que Precisa Estar Pronto Antes de Dezembro
A DUIMP opera de forma fundamentalmente diferente da DI tradicional. Enquanto a DI era registrada após a chegada da carga, a DUIMP permite e incentiva o despacho antecipado, com análise de risco rodando durante o transporte. Para isso funcionar, quatro elementos precisam estar em ordem com antecedência:
Catálogo de Produtos atualizado: cada item deve ser cadastrado uma única vez no Portal Único e reutilizado em todas as importações futuras. Empresas com muitos SKUs precisam iniciar agora.
Operadores estrangeiros cadastrados: fornecedores internacionais precisam ter seus dados registrados no sistema antes do primeiro registro de DUIMP.
LPCOs digitais configurados: licenças, permissões, certificados e outros documentos de anuência (MAPA, ANVISA, INMETRO) passam a ser 100% digitais e precisam estar integrados ao fluxo.
Infraestrutura para despacho antecipado: especialmente crítica para perecíveis, que precisam da máxima agilidade de liberação.

A Oportunidade para Perecíveis
Para importadores de frutas, carnes e produtos refrigerados via modal terrestre, a DUIMP traz um benefício concreto: o tempo médio de importação cai de 17 para 9 dias segundo projeções oficiais da Receita Federal. O despacho antecipado permite que a análise de risco seja feita durante o transporte, e não após a chegada, o que preserva a qualidade e reduz perdas em perecíveis.

Por que Agir Agora?
Seis meses parecem muito tempo. Não é. Reclassificar catálogos de produtos com centenas de SKUs, treinar equipes, adequar sistemas de ERP à nova lógica do Portal Único e garantir que todos os fornecedores internacionais estejam cadastrados é um processo que consome tempo e recursos. Empresas que iniciarem a adequação agora chegam a dezembro com operação testada e confiável. Quem deixar para o último momento corre o risco de paralisação.

⚠️ Aviso: Este artigo tem caráter informativo e não constitui assessoria jurídica ou consultoria tributária. Para análise específica da sua operação, consulte a equipe da Ormac.

📌 Fontes:
Transmaas Blog — DUIMP obrigatória em 2026: https://www.transmaas.com.br/blog/duimp-obrigatoria-2026-declaracao-unica-importacao (05/2026)
Guelcos Internacional — Siscomex 2026, Portal Único, DUIMP: https://guelcos.com.br/conteudo/importacao/siscomex/ (05/2026)
Receita Federal — Portal Único Siscomex / Cronograma: https://www.gov.br/siscomex/pt-br/programa-portal-unico/cronograma
Diário do Comércio — Portal Único de Comex passará a valer de forma integral no final de 2026: https://diariodocomercio.com.br/economia/portal-unico-de-comex-passara-a-valer-de-forma-integral-no-final-de-2026/ (12/2025)